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Treino Amável, cão feliz!

Atualizado: 24 de jul. de 2023



Mais do que treino de reforço positivo os cães precisam de uma educação amável que os compreenda e respeite como tal.


Na educação amável não há lugar a castigos, ralhetes nem correcções. Muito menos se utilizam técnicas e ferramentas de treino aversivas ou qualquer outra coisa que provoque dor ou desconforto ao animal. Temos que sentir empatia e criar um vínculo emocional cão/humano baseado em confiança mútua e para que isso aconteça têm de desaparecer totalmente os referidos castigos, ralhetes ou correcções.


Mas não basta dizer que se treina em positivo.


Citando o educador canino João Pedro, da Escola Mania dos Cães, num post do seu blogue:

“(…) desde que a expressão treino positivo se foi tornando popular ou banalizando (como preferirem), começaram a aparecer de todos os lados treinadores a dizer que treinam em positivo.” E acrescenta mais à frente na mesma publicação: “(…) deveria chamar-se ao verdadeiro treino em positivo ‘treino amável’. Que foi um nome que ouvi em Espanha há uns anos atrás e sem qualquer dúvida faz todo o sentido.”


Stress e medo


A educação amável não se limita a modificar comportamentos, mesmo que para essa alteração se utilize unicamente o chamado reforço positivo. Trata-se, sobretudo, de perceber o que é que está por trás da conduta do cão, qual a sua causa e trabalhar a partir daí.


Como referem os educadores caninos Jaime Vidal Santi & Eli Hinojosa no livro Transtornos de perronalidad :“Quizas el talón de aquiles de la educación canina sea no compreender que solo yendo a la raíz de los problemas, y no a los sintomas, es cuando de verdade podemos ayudar a un perro”.


Muitos dos chamados comportamentos indesejados dos nossos amigos de 4 patas têm na sua raíz stress e medo. Para além destes estados emocionais também uma grande parte das suas condutas são causadas por problemas físicos ou doenças que lhes provocam dor ou desconforto. Ao trabalhar unicamente sobre os comportamentos, seja qual for a técnica de treino utilizada, estamos apenas a mascarar os problemas pois não tivemos em conta as emoções e as dores físicas ou psicológicas que os causam. Se tentarmos resolver as condutas com base na chamada obediência básica (expressão que não gosto de usar) e auto-controlo do cão corremos o risco de frustar o animal, impedir que o mesmo comunique de forma correcta e que resolva a situação sem conflitos, tal como o faria um cão equilibrado na natureza. Resumindo, estamos a aumentar o stress do animal.


Comunicação


Outra premissa para que o treino amável se possa realizar com sucesso é uma boa comunicação com os cães nos dois sentidos. Se por um lado nós temos que perceber de forma correcta o que eles nos querem dizer, no sentido inverso, temos que saber transmitir-lhes o que queremos comunicar.


Citando de novo Santi e Eli na mesma obra Transtornos de perronalidad : “Para tener un perro educado y mejorar la convivenvcia, quizas deberíamos nosotros aprender un poco más sobre el ‘idioma perro’ en vez de que sean ellos los que deban hacer el esfuerzo de aprendizagem sobre comunicación.”


Não há resultados rápidos, não é um programa de TV


Para finalizar esta reflexão gostaria de sublinhar que a modificação comportamental baseada em educação amável leva tempo. Quanto? Depende de muitos factores, entre eles: de cada cão, do seu historial, do ambiente em que vive e do tempo que os tutores dedicam ao treino. Quem opta por treino aversivo é muitas vezes seduzido pelos falsos resultados rápidos correndo o risco de criar uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento.


Mas no fim, a opção é de cada um de nós. Como escreve Turid Rugass no livro A Linguagem dos cães. Os Sinais de Calma : “Depende de ti o tipo de relação que desejas estabelecer com o teu cão. Pode aprender a temer-te e passar toda a sua vida atemorizado e a sentir-se mal ou podes fazê-lo sentir-se melhor, que confie em ti e não tenha nada a temer; neste caso, o cão, muito provavelmente, nunca terá necessidade de mostrar-se numa posição defensiva e, deste modo, é menos provável que chegue a morder alguém.”


Termino o post de hoje com duas questões que gostava que reflectissem antes de tomarem a vossa decisão:

  • Se podemos ajudar o nosso cão a modificar as suas condutas e emoções sem lhe provocar dor, medo, desconforto ou stress, porque motivo o havemos de fazer?

  • Será ética e humanamente correcto optar por técnicas aversivas quando podemos educar o nosso amiCÃO de forma amável?

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